domingo, 29 de janeiro de 2012


O conserto que o juízo traz

Domingo, último dia de férias. Jogo da Vida em família para acalmar os meninos. Enquanto a pequena explorava toda a casa livremente, estávamos concentrados – cada um no seu carro sobre o tabuleiro na mesa. Seguiríamos sozinhos até a primeira parada obrigatória: o casamento. Então, a partir da aliança recebíamos um companheiro no caminho. Logo viriam os filhos... Cansados da maratona do dia, meu marido e eu ansiávamos pela chegada. Ele tomou o manual do jogo como Moisés o livro do concerto e leu para os meninos. As regras estavam claras e deveriam ser cumpridas. Para nosso espanto, em meio aos gritos de protesto da pequenina que não pôde jogar, os meninos concluíram o percurso antes de nós! Próxima à chegada, havia um lugar de parada obrigatória chamado “Dia do Juízo”. Depois disso, o jogador poderia se tornar um milionário ou ir à falência. Passei alguns instantes tentando fazer o meu cérebro processar aquela informação: o juízo faz parte da vida. Em todo o tempo fazemos escolhas, buscando um equilíbrio entre a nossa forma de pensar e agir. Não podemos ser incoerentes, mas usar de bom senso para assumir as conseqüências de nossos atos. Somos julgados o tempo todo! Quando Deus mandou Moisés subir o monte Sinai para receber as tábuas de pedra, a lei e os mandamentos para ensinar ao povo, este achou que ele estava demorando. Não foram pacientes. Perderam o temor. Olharam para a vida que estavam tendo e amaram-na demais. Esqueceram de que quando Deus fica em silêncio é porque está trabalhando em nosso favor... Criemos juízo! Entremos no vínculo do concerto de Deus! Um poucochinho de tempo e o que há de vir virá e não tardará! Continuemos a viver pela fé e não recuemos de nossa posição, porque se o Senhor se agradar de nós muitas promessas se vão cumprir. Deus fez conosco uma aliança e nos deu o seu espírito por companheiro. É ele que intercede por nós com gemidos inexprimíveis quando não sabemos orar. Depois de gerar uma nova vida em nós, nos move até pessoas que também precisam de uma nova vida. Temos filhos na fé. Cuidemos deles. Apesar de muitas vezes nos sentirmos cansados no final do dia, temos a certeza de que uma mansão nos espera. Nossos carros andarão em ruas de ouro e seremos milionários, só que de verdade!

sábado, 28 de janeiro de 2012


Mergulhe sete vezes e afogue o gigante!

Minha última semana de férias. Praia pra fechar em grand finale!!! Enquanto os meninos desfrutavam das marolinhas que estouravam na areia, eu experimentava a água. Cautelosamente fui entrando e me rendendo à deliciosa tarefa de me divertir com os meus filhos. Lembrei-me de Naamã. Será que ele verificou a temperatura da água antes de mergulhar no rio Jordão? A praia parecia conservar cubos de gelo derretendo-se à luz do sol. Também fiquei imaginando se os sete mergulhos dele foram assim como os meus: tímidos, rápidos e contrariados. Afinal, Jordão significa descer e para ser curado da lepra ele teve que vencer muitas barreiras.  Quando Deus quer nos preparar para receber algo da parte dEle primeiro nos fazer descer do lugar onde estamos, pois assim poderemos ter uma visão melhor da sua glória. Que dura lição esta da humildade! Ela traz em si inúmeras outras lições... Dentro de cada um de nós existe um gigante – a razão. Quanto mais nos enchemos dela, menos mergulhos damos. Flutuamos. Não é nada fácil negar ao enorme ego a vontade de revidar quando alguém nos trata com frieza, indiferença, finge que não nos vê ou erra nosso nome de propósito. Mas Naamã era corajoso, já havia vencido muitas batalhas, poderia vencer a si mesmo também. Relutante ouviu a empregada. Relutante entrou na água. Relutante obedeceu. Relutante desceu. Mergulhou e afogou o que lhe era grande. Saiu purificado. Não somente transformado. A palavra do profeta se cumprira. Deus dele louvor recebia. Me entretive mergulhando e quando percebi o sol da justiça já ia alto no último dia... Era hora de ir embora e continuar me divertindo com meus filhos em outro lugar. Com certeza num lugar bem melhor para todos nós...

domingo, 22 de janeiro de 2012

Feridas Curadas


Que susto levei com aqueles olhos negros me olhando! Eu ainda estava deitada e tudo o que podia enxergar com os meus seis graus de miopia era o que estava exatamente à minha frente: a pequenina de um ano em pé, esperando que eu despertasse. Logo que levantei da cama, ouvi meu filho de cinco anos reclamar do convite por telefone: “Eu não quero ir à praia! Domingo é dia de ficar com a família!”. Minha vida inteira passou em um minuto na minha cabeça. Por seis anos de minha juventude estive longe de Deus. Meus pais haviam decidido seguir rumos diferentes depois de 26 anos de casados e a terra parecia abrir debaixo dos meus pés. Tudo o que eu havia acreditado em minha vida escapara naquele acontecimento. A última década tinha sido para nossa família um período áureo e agora eu só tinha o vazio. O que faria aos domingos? Me lancei 100% à minha carreira: faculdade, trabalho e capacitações nos finais de semana. Então, além do vazio, passei a ter horas de solidão contabilizadas em viagens e hotéis. Até que numa noite de domingo veio a catarse: choro sem TPM! Eu tinha MUITAS amigas leais, das quais três me socorreram naquele instante. Depois de algumas voltas de carro e baldes de lágrimas, me levaram à uma igreja. Assim que me assentei ouvi: Só o Teu amor sara a minha dor preenche o meu viver... e as feridas que ninguém vê vem tocar com o teu poder! Olhei para as minhas amigas como quem despertara de um coma profundo e disse: Podemos ir embora.  Elas haviam me descido pelo telhado exatamente no momento em que o anjo agitou as águas para curar os enfermos. Minha alma não estava mais míope. Eu podia ver os olhos de Deus bem à minha frente. Ele estivera ali todo o tempo esperando que eu acordasse... deixei que cuidasse de mim novamente. A ferida foi cicatrizando aos poucos e agora domingo é dia de ficar com a família!

sábado, 21 de janeiro de 2012


Temporalidade

Sábado, manhã linda de sol. O mar parece estar calmo hoje. Mas ontem levantou-se grande temporal. Dia difícil para uma sexta-feira! Algumas tempestades da vida nos sobrevêm de repente... No final do dia eu estava exausta de lutar contra o vento e as ondas gigantes. As más notícias nos deixam com o coração agitado, como um barco num mar revolto balançando pra lá e pra cá. A tormenta nos dá a dimensão exata de nossa temporalidade. Somos limitados e em qualquer circunstância haverá momentos em que nada poderemos fazer. É quando surge aquela voz: “aquietai-vos e sabei que eu sou Deus!”. Quando eu era adolescente minha mãe lia diariamente um trecho do livro “Mananciais no deserto” para o meu pai antes dele ir trabalhar. Assim, aprendi em doses homeopáticas que a fé é a mais poderosa arma que podemos usar numa batalha. Ela é a única coisa que vamos levar desta vida. Como num diário de bordo, os acontecimentos mais importantes do meu dia começaram às 3h da manhã.  Telefonemas, conselhos, pedidos, remediações. E a voz continuava a ecoar. Era hora de romper em fé soltando os remos do barco e dobrando os joelhos em oração. Sem saber ao certo o que dizer, me aquietei e se fez grande bonança no meu coração. Logo pude enxergar a luz do farol que me mostrava a terra firme. Percebi que as circunstâncias também são temporais e que outras tempestades virão, mas eu estarei ainda mais preparada para navegar nas águas do mar da vida. Espero que você ainda esteja aqui para compartilhar comigo.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012


Faxina: tesouros da criatividade

Li recentemente num livro que todo novo hábito é regrado em três semanas de rotina. Assim, comecei a preparar minha trupe para a contagem regressiva de volta às aulas. Começamos a semana acordando um pouco mais cedo e, quase como uma tradição, iniciamos uma boa faxina nos armários e estantes de materiais guardados.  Como é difícil nos desfazermos das coisas! Sempre encontramos um motivo para guardar cada objeto como símbolo de uma época. O problema é que quanto mais velhos ficamos, mais difícil ainda é encontrar lugar pra tanta “lembrança”. Não importa o tamanho do espaço que temos, buscamos ocupá-lo... Meus ajudantes estavam dispostos a criar e re-criar tudo o que viam. Munidos de tesoura, cola, pincéis e tinta guache retiravam das sacolas de lixo o que eu descartava. Queriam fazer obras de arte! Estavam como o homem que do seu tesouro tira coisas antigas e coisas novas. Bastou eu ter os planos de aula em minhas mãos que fiquei como eles: cheia de expectativa! Os projetos adormecidos despertaram e o cérebro começou a ferver de idéias. Veio à memória o que por muito tempo havia me dado esperança. Lembrei-me de Augusto Cury: sonhos são como barcos, precisam dos remos da coragem e da paciência para navegarem. A faxina nos ajuda a enxergar o que antes estava obscurecido e encontrar o que estava perdido. Ela nos desperta para a harmonia de cada coisa estar em seu devido lugar. Ainda não vimos nem sentimos tudo o está reservado para nós! Vamos nos preparar hoje, porque amanhã Deus fará maravilhas no meio de nós. Comecemos a glorificar por aquilo que ainda não vimos, pois Ele sempre tem o melhor para nós! Como acabou a faxina? Com duas cigarras cantando... Tá rindo de quê? Vai ter com a formiga, ô preguiçoso!

Férias, jogos de dominó e a velha correção

Um mês de férias: sete rodadas no campeonato de dominó com os meus filhos. Foram setenta partidas, das quais posso contar nos dedos de uma mão as que ganhei... É inacreditável, não é mesmo? Duas crianças de oito e cinco anos vencerem a mãe tão vivida e experiente em jogos de estratégia e raciocínio? Os dias de chuva foram cheios de tensão por causa desta competição! Quando meu esposo chegava no final do dia eu estava exausta e muito, muito descabelada... Eram gritos, protestos, choros e minutos revezados de pensamento no tapete verde do corredor, até que estivessem abertos a uma negociação. O fato é que as brincadeiras não apenas nos propiciam viver situações de liberdade e prazer, mas revelam muito de nossa personalidade e nosso caráter. As férias, ao contrário do que muitos pensam, são oportunidades únicas de correção daquilo que nos escapou durante o ano. Um intensivo de aprendizagem! Observe as crianças enquanto brincam e você poderá identificar o comportamento de muitos adultos. Quando temos filhos pequenos somos obrigados a nos socializar com diferentes grupos. São festas de aniversários, reuniões e apresentações na escola, passeios e inúmeros convites para lanches e tardes de brincadeira na casa um do outro. Basta os adultos iniciarem uma boa conversa que logo surgem os conflitos da divisão de brinquedos e os protestos das vitórias e derrotas de cada um. Sem falar do típico “ninguém quer brincar comigo”... Filhos são herança! Herdam características físicas e temperamentais. Personalidade e caráter são constituídos por exemplos de convivência, mas temperamentos precisam ser trabalhados ao longo de uma vida. É um processo de mão dupla para pais e filhos. Não é à toa que o bom pastor do Salmo 23 consola com uma vara! Precisamos resignificar situações antigas e nos dar a oportunidade de reelaborá-las corrigindo os desvios de percurso – seja como pais, seja como filhos. Sempre há tempo! Quem é que está perdendo aqui?! Duro vai ser jogar as outras trinta partidas...
  

terça-feira, 17 de janeiro de 2012


PALAVRAS NÃO SÃO LEVADAS AO VENTO...

Ufa! 13h40 e só agora consegui parar para escrever no blog. Desde ontem fiquei matutando sobre o tema que discorreria, depois dos acessos das primeiras postagens. Já sabia exatamente o que escrever nos dias seguintes, mas o de hoje estava difícil sair. Vencida pelo cansaço me rendi ao sono às 2h da manhã e, ao acordar, fui levada pela frenética falta de rotina das férias. Depois de “emprestar” os meninos para um dia de praia e dar uma passada rápida no supermercado, consegui checar meus e-mails. Que surpresa!!! Um monte de respostas sobre o blog, mas nenhuma postada... Li, reli e refleti: palavras não são levadas ao vento! As mensagens de incentivo, apreciação e confissão de cada um de vocês me deu a postagem de hoje! Foi por isso que fiz o “blog do conhecer”, para que pudéssemos escrever a respeito do que vai em nossos corações e nos libertar de muitos pensamentos que nos aprisionam. Vigotsky disse que a aprendizagem se dá na interação com o outro e para Freud este outro é o nosso atestado de sanidade mental. É verdade, pessoas são espelhos. Alguns que nos fazem sentir mais magros ou compridos, outros que nos achatam e engordam. Mas há sempre os espelhos verdadeiros que nos dão a dimensão exata daquilo que somos. Assim, esta postagem é uma simples homenagem aos eternos e queridos amigos que sempre me ouvem. Deus fez todas as coisas pelo poder de sua palavra. Transformemos nossos temores em palavras de vida para que ao pronunciá-las lembremos que as mesmas aflições se cumprem com todos.  Vida abundante para você também neste lindo dia de sol!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

EXPERIÊNCIAS À MESA: CONTENTAMENTO



No meu quadro de objetivos de 2011 utilizei uma foto de revista que mostrava uma mesa redonda, com oito lugares para me lembrar do quão importante é ter a família reunida para vivenciar momentos de comunhão e partilha. Durante todo o ano desligamos a TV durante as refeições e desfrutamos da barulhenta origem italiana de meu marido. Até a nossa bebê tinha agora um lugar reservado para ela! Como numa posição de 3\4, pude observar meus filhos crescerem e aprenderem inúmeras lições que não se reduziam à etiqueta de talheres dispostos e manuseados em ordem correta. Cada cena produzida por nós ficaria para sempre guardada e perpetuada nas gerações posteriores. No decorrer do ano, recebi de uma amiga, inúmeras mensagens que falavam sobre contentamento. Eu estava comendo ervas amargosas pelas inúmeras situações adversas. A impressão que eu tinha era de que havia dado uma volta enorme e parado no mesmo lugar!!! Fiquei realmente brava com aquelas mensagens! Meu paladar estava alterado, não podia saborear o delicioso gosto de uma palavra amiga... Meses depois, fiz um estudo sobre satisfação e quando li a definição me senti pequena e muito envergonhada: sentimento de quem está contente, saciado, que considera que tem o suficiente. Lembrei da foto da revista. Lembrei das cenas à mesa. Lembrei de minha amiga. Era preciso dulcificar as águas para que o paladar fosse limpo. Desfrutar todos os dias da comunhão à mesa farta, onde não falta o alimento para todas as idades. E você, também quer ceiar¿ Pegue a sua parte e sente-se para viver a sua experiência! 

domingo, 15 de janeiro de 2012

Perdas Necessárias

Hoje é um lindo domingo de sol, que vem coroar cinco dias de verão depois de duas semanas de chuvas neste ano que se inicia. Estou em casa terminando a leitura do livro “Perdas necessárias”, de Judith Viorst, enquanto desfruto o prazer da companhia de minha filha de 1 ano. Somente eu e ela. Entre risadinhas e telefonemas, penso nos meus filhos de cinco e oito anos cercados de primos, tios e tias aproveitando o lindo dia na piscina na casa dos avós, com o pai. É realmente um dia perfeito para o lazer em família, mas optei perdê-lo para ganhar a liberdade de fazer o que quero com minha pequenina, sem as interrupções dos afazeres cotidianos e as competições dos demais pela minha atenção. Nunca demorei tanto para ler um livro: cinco meses! Seja pelo condensado conteúdo ou pela falta de tempo livre, valeu o tempo da espera! O processamento gradual das perdas que estive sofrendo no ano de 2011 me fez compreender todas as perdas de uma vida. Resta apenas vivê-las com dignidade. Assim, quero inaugurar este blog compartilhando a oportunidade de adquirir um conhecimento que Gardner definiu como inteligência intra e interpessoal: o conhecer a si mesmo e ao outro! Que mergulho profundo este da alma, não é mesmo¿ Amar ao próximo como a si mesmo nunca foi tão difícil nesta moderna vida individualista... Mas, na medida em que nos dedicamos a conhecer a nós mesmos e enfrentamos nossas perdas com maturidade, ligando-as aos nossos ganhos, conseguimos alcançar a limitação do outro e compreendê-lo, aceitando seus erros na medida em que nos vemos nele. Assim, podemos amá-lo como a nós mesmos e desenvolvermos não apenas as inteligências intra e interpessoal de Gardner, mas cumprir um mandamento cristão. Afinal, só exerce a misericórdia que tem experiência no sofrimento... Então, que venham os dias de chuva, mas que também venham os dias ensolarados!