sábado, 16 de junho de 2012


AS 37 VALENTES DE GABI

Que bom reencontrar amigas! Desde pequena cultivo as mais belas flores, assim como o pequeno príncipe de Antoine de Saint-Exupéry com sua rosa. É claro que não as tenho guardado em redomas de vidro e minhas viagens têm me proporcionado encontros interessantes com cobras, raposas e planetas realmente exóticos. Cativar deixou de ser apenas um corinho da época de adolescente para se tornar um verbo de conjugação diária. Aprender acerca de alguém não é coisa fácil... Dentro de seu mundinho cada um se comporta de uma maneira lógica. Quando nos colocamos no lugar do outro em alguma situação alcançamos empatia e, nesta posição, podemos compreendê-lo cultivando assim uma verdadeira amizade. Não estou procurando um carneiro que coma jatobás, apesar de saber que as raízes de amargura destroem tudo o que existe ao redor desta frondosa árvore. O cordeiro eterno já limpou a terra de nossos corações e o aparente descuido da amizade distante não nos tem impedido de sermos responsáveis umas pelas outras. Em relação às minhas amigas me sinto como Davi e os trinta e sete valentes que teve. Ele reconheceu o trabalho e a dignidade de todos, mencionou seus nomes e registrou o que cada um fizera para livrá-lo. Todas as vezes que precisei me esconder na caverna de Adulão e desejei beber água no deserto, houve uma valente que buscasse por mim. As palavras reveladas pelo Espírito de Deus saciaram a sede de ambas as almas. Cada ato está derramado diante do altar através de ligações internacionais, chamadas no skype, visitas, e-mails e longas conversas. Temos nos colocado em defesa umas das outras e ferido leões em covas num tempo de neve. Com oração, jejum e súplicas, o cajado do bom pastor não tem deixado a lança do egípcio nos ferir. De ano em ano vamos nos revezando em posições de batalha. Nunca saberemos quais estarão entre as três primeiras ou sobre a guarda. O essencial continua invisível aos olhos e somente as que estiverem limpas de coração poderão enxergar o caminho no ermo e os rios no deserto a fim de conduzir as demais até lá. Continuemos valentes!!!

segunda-feira, 11 de junho de 2012


Rocha Fortaleza

Aniversário de 62 anos do meu pai. Passeio de carro estendido até chegar ao local da festa. A cada cinco minutos nossos filhos se alternavam com a mesma pergunta: “Está chegando¿”. Levamos cerca de duas horas para sairmos de casa e uma hora para chegar ao nosso destino. Não podíamos ficar menos do que três horas para valer a pena o esforço de ter ido com as crianças. Meu pai é para mim um exemplo. Além de ter Rocha como sobrenome, vive como uma fortaleza no meio dos que o cercam. Nunca fraquejou diante das adversidades e se levantou inúmeras vezes provando a todos que não há limites quando se tem fôlego para lutar. Filho dedicado, ouvia carinhosamente os conselhos de sua avó todos os domingos de manhã, quando a visitava. Como Lóide, ela o orientou até findar seus 99 anos de idade... Esta herança transmitida a mim e aos meus filhos foi revelada pelo Espírito de Deus à nossa família há mais de um século! Certa vez sonhei que um casal da minha igreja morava num forte, no meio do mar. A cama deles estava de costas para a janela e voltada para o interior da casa. Eles permaneciam todo o tempo deitados juntos e não se incomodavam com o barulho das ondas do lado de fora. Quando decidi constituir minha própria família e viver os sonhos que Deus havia colocado em meu coração já tinha a clareza do que era um lar edificado sobre a rocha. Sabia que se habitássemos no abrigo de Deus, moraríamos sob sombras de amor e nenhum mal sobreviria a nós. Nestes dez anos de casada não tivemos somente bonança. Houve momentos em que as ondas avançaram altas e os ventos sopraram brutalmente contra a nossa casa, mas aprendemos a permanecer juntos no forte, voltados para as necessidades da nossa família. Em momentos de extremo perigo o próprio Deus escondeu a todos nós na fenda da rocha e nos livrou de nossos apertos. Nunca pude cantar Castelo Forte sem lembrar de meu pai... Agora que não tenho mais o Rocha como sobrenome, resta-me apenas ser fortaleza.

terça-feira, 5 de junho de 2012


Palavras de um pequenino

Neste mês de junho minha igreja estará orando pelas famílias. Para abrir o novo ciclo de experiências, despertamos com o nosso filho de cinco anos relatando o sonho que havia tido com todas as pessoas da nossa casa. A sirene espiritual foi ligada em alto volume e logo tratamos de nos reunir na noite seguinte para orarmos juntos. Era preciso que nos reservássemos à parte, como Jesus fazia com seus discípulos. A cada história lida, um segredo do Senhor aos nossos corações. Eram mananciais de águas vivas, totalmente disponíveis. Não podíamos cavar em nossa acelerada rotina cisternas rotas que não retesem tais águas. Caso contrário, correríamos o risco de ouvir do Senhor a palavra que Jeremias usou para repreender Jerusalém por sua rebelião: Acaso é Israel um servo? Ou um escravo nascido em casa? Por que, pois, veio a ser presa? Vigilância. Eis a palavra desta última hora. Nossa responsabilidade como pais, não consta somente em falar da palavra ao caminho e atá-las ao pescoço de nossos filhos para que a levem consigo. Mas principalmente zelar por esta herança, transmitindo-a todos os dias em experiências pessoais. Jesus está vivo e quer se revelar a cada um hoje! Ensinemos aos nossos filhos acerca do temor a Deus para que depois não amarguemos as algemas...

segunda-feira, 4 de junho de 2012


A genética da igreja fiel

Logo que nasci tive uma bronquiolite e fui desenganada pelos médicos. Meu pai que já estava afastado da igreja há anos correu em busca de um diácono para uma imposição de mãos. Ele sabia que somente Deus é o autor da vida e que o poder da cura está na sua palavra. Naquele dia – profeticamente – fui consagrada ao Senhor e cresci ouvindo a minha mãe dizer o significado do meu nome: enviada de Deus. Durante o período da adolescência conheci pessoalmente este Deus que me enviara e me afeiçoei a Ele a cada vez que o ouvia falar através dos louvores e se revelar através de sua palavra a cada culto. Foram inúmeras declarações de que minha vida era um projeto de Deus e que nada poderia mudar isso. Em meu aniversário de 18 anos fiz um solo de dois louvores que falavam de minha entrega total à sua obra. Dois anos depois me afastei da igreja e do pasto seguro do bom pastor que cuidava de mim. Foi um período escuro, confuso, de poucas respostas. Todas as vezes que sentia o desejo de ir à igreja ou ouvir algum louvor o Espírito Santo me dava a mesma palavra: O Diabo vem senão para roubar, matar e destruir; mas Jesus veio para dar vida e vida em abundância. Certa noite fui dormir em grande angústia e, salteando os canais da televisão, qual não foi a minha surpresa ver escrito este versículo na tela!!! Parecia pegadinha... Na manhã do dia seguinte um jovem do meu prédio havia se suicidado. Temi. Tremi. Compreendi que desde o ato de minha consagração o sangue do cordeiro estava borrifado em minha testa e me foi por sinal declarando a quem pertencia. Como na noite da primeira páscoa, a morte passou por sobre a minha casa no terceiro andar e não me pôde levar. A Trindade estava comigo. Busquei o autor da vida. Ainda havia tempo. Minha mãe havia tido um sonho em que eu era uma criança pequena e chegava da praia chorando, triste e ferida. Não havia roupas que protegessem meu corpo das tempestades do mundo. Ela me abraçava e dizia: Tudo vai ficar bem agora. Como no sonho de minha mãe, fui recebida, cuidada e amparada pela igreja. O bom pastor não havia se ausentado de mim por um segundo sequer! Como compreender este grande amor de Deus por nós? Ele é mais forte do que a própria morte! Recentemente numa vigília, os servos levantaram sua mãos para adorar o autor da fé e emudeci lembrando das cenas de minha adolescência, em que de mãos levantadas eu declarara tantas vezes que pertencia a este Deus.  Eu só não sabia há quanto tempo...

domingo, 3 de junho de 2012


ODRES NOVOS

Trabalho novo: muitas coisas pra aprender! Reconheço, sou intensa, pra não dizer compulsiva... Tenho a audácia de pensar que em tempo recorde vou aprender tudo de uma só vez. Aos poucos a ficha vai caindo, o corpo vai cansando e me rendo à necessidade do descanso físico e mental. Como é difícil lidarmos com as nossas limitações! Elas ficam tão evidentes nas adaptações... É como se tateássemos no escuro: tropeçamos no que não vemos. Sentimos medo. Esquecemos que o novo nos traz inúmeras possibilidades e que nele encontraremos pessoas que também estarão em adaptação à nós. São aprendizagens propiciadas pela escola da vida. Construções pessoais de uma história particular que nunca acontece isoladamente. Estão inseridas num contexto maior e precisam da interação para que se concretizem. O resultado disso tudo foi quase quatro meses sem escrever no blog... Tempo que levei para processar o novo formato da minha vida. Como Piaget ensinou, precisamos deste tempo para que haja uma equilibração dos novos dados. Adaptar significa tornar-se mais apto a sobreviver no ambiente em que vive. Este ponto de equilíbrio entre a assimilação e a acomodação é que torna nossa interação eficiente. Observando as turmas de maternal da escola em que trabalho, percebi que as crianças não choram longe das mães e, muitas vezes, são estas que vão embora da escola chorando! São odres novos, preparados para receber vinho novo. Ainda levaremos muito tempo para compreender o tempo de Deus, não é mesmo? Mas não demora muito e alcançamos que vinho novo só pode ser colocado em odre novo, caso contrário, o velho se romperia... Como Salomão escreveu em Eclesiastes, tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Sabendo que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, estamos seguros na consciência de que por este propósito fomos chamados para cada mudança. 

sábado, 25 de fevereiro de 2012


Produza uma pérola!

Gosto muito de pérolas... Não apenas porque foram a marca registrada de Chanel, mas porque a beleza delas não revela o processo pela qual passaram para serem produzidas. Antes de engravidar da minha pequenina tive um sonho que muito impressionou. Eu caminhava numa calçada de braço dado com uma jovem senhora da minha igreja e, enquanto conversávamos, nos dirigíamos para uma reunião de senhoras. Eu teria que dar uma aula sobre a produção de uma pérola. No meio do caminho esta jovem senhora avistava um ser muito assustador e me puxava para um beco, me abraçando e tapando os meus olhos dizendo: “Não olhe Gabi! É muito feio...” Então o ser se aproximava de mim e eu podia sentir a sua presença e ouvir a sua respiração, mas ele não me tocava. Somente depois dele ir embora é que continuamos caminhando. Um ano depois deste sonho eu vivi uma situação tão intensa que me vi como Jó, provado em sua fé. Me sentia feliz em pensar que Deus houvesse dito: "viste a minha serva fiel?" Mas não podia imaginar o que significava: "pode tirar-lhe, mas não a toques". Certa noite, em grande angústia, senti um desespero cruel e pensei não suportar tamanha dor. Então, as palavras me vieram à lembrança: “Não olhe Gabi! É muito feio...” Eu sabia que o ser estava ali, querendo tocar-me, tirar-me a fé, mas não podia. A ordem já havia sido dada: “pode tirar-lhe, mas não a toques.” Aqueles que são do Senhor o maligno não toca! Eu sabia que estava abraçada, preservada, protegida. Alguém cuidava de mim com muito zelo. Não podia olhar para o que estava vivendo, para a minha prova, a minha dor. Deveria fazer como a ostra que produz a pérola a partir de uma irritação, quando uma partícula estranha entra em seu manto. Era preciso muito nácar para isso, mas eu sabia exatamente como produzir tantas camadas brilhantes... Os instantes que permaneci no beco estive acompanhada e ainda que o processo da produção da minha pérola tenha sido lento, eu a ofereço a vocês neste blog. O ser foi mesmo embora e eu continuo caminhando. Afinal, Jó é um livro de louvor e não de provas. Pensem nisso.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Trabalho, Serviço, Mordomia e Instrumentalidade


Roberto Shinyashiki em seu livro “Você: a alma do negócio” afirma que o significado da palavra trabalho em hebraico (abador) é servir a Deus. Para ele, esta é a essência do trabalho: servir! Quando atendemos o outro em sua necessidade, estamos servindo. Deus nos deu dons e talentos para o serviço de sua obra. Ele mesmo nos criou e nos moldou conforme a sua vontade. Somos despenseiros na casa dEle, em nossas famílias e nos nossos locais de trabalho. A graça e a habilidade que precisamos vêm somente da comunhão com o seu santo espírito. Até mesmo o nosso temperamento está em constante sujeição à sua soberania. Ele prepara todas as coisas para que sejamos usados da maneira que lhe agrada, mas cabe à nós a decisão de servi-lo. Como na parábola dos dez talentos, não podemos enterrar aquilo que Ele nos confiou. Quando alcançamos esta máxima, nos tornamos mordomos. Não fazemos o que queremos, mas o que agrada ao dono. Não nos regalamos em privilégios, mas nos preocupamos com os interesses alheios. Ficamos gratos pela oportunidade do trabalho e a dureza das correções. O dicionário define este ofício com um benefício que inclui moradia, alimentação e serviços gerais. Assim estamos nós: longe da linda pátria, mas assistidos e alimentados diariamente na casa de nosso Senhor. Temos saudades daquele que nos foi preparar a mansão eterna. Ainda que vãos terrestres esplendores tentem nos encantar, não ficaremos aqui. É neste alcance que nos colocamos como instrumentos em suas mãos para sermos usados conforme lhe aprouver em seu louvor. Limpemos as nossas mentes com a água da palavra. Ele lavou os pés dos discípulos para que soubéssemos que a obra das nossas mãos só pode prosperar com um caminhar santo. 

sábado, 18 de fevereiro de 2012


Feliz 2012!

Para mim o ano novo só começa mesmo depois das férias escolares. A casa volta ao seu funcionamento normal e ficamos com uma sensação de pertencimento e funcionalidade. É claro que tudo isso seria insuportável sem os finais de semana e os feriados prolongados! Estes nos propiciam uma análise mais ampla da vida, descobrindo no que realmente vale a pena investirmos tempo, energia e dinheiro. É a “lei da sobrevivência”... Trabalhamos porque precisamos manter nossas despesas e sobrevivemos ao ritmo intenso da jornada nos realizando profissionalmente. Suportamos as pressões diárias e extravasamos todas elas em atividades seculares que nos oxigenam e renovam as nossas forças. Nos submetemos à responsabilidade e inflexibilidade dos horários semanais, certos de que seremos recompensados ao findar desta mesma semana.  O ano novo veio com uma vida nova. Toda palavra dita por Deus é cumprida! Enquanto aguardamos o cumprimento de suas promessas passamos pelo teste do tempo. Ele nos dá resistência e forja o nosso caráter conforme a sua vontade. Somos barro em suas mãos, vasos feitos para o louvor do seu nome. Não podemos estar vazios! Precisamos estar cheios de azeite para sermos usados com poder. O ano de 2012 nos reserva uma definição incondicional! Todos fomos chamados a trabalhar na seara, mas quem estará disposto a levar a preciosa semente? Os anjos quiseram falar do reino, mas este ofício foi dado a nós, os servos de Deus. Estejamos dispostos a cumprir o serviço que nos cabe no Senhor, sendo sóbrios em tudo. Como Paulo disse: apóstolo pela vontade de Jesus Cristo. Com os lombos cingidos com o cinturão da verdade, soframos as aflições que nos cabem realizando a obra de evangelistas. Carreguemos a arca da presença de Deus nos ombros até que sejamos arrebatados. Feliz Ano Novo...

domingo, 29 de janeiro de 2012


O conserto que o juízo traz

Domingo, último dia de férias. Jogo da Vida em família para acalmar os meninos. Enquanto a pequena explorava toda a casa livremente, estávamos concentrados – cada um no seu carro sobre o tabuleiro na mesa. Seguiríamos sozinhos até a primeira parada obrigatória: o casamento. Então, a partir da aliança recebíamos um companheiro no caminho. Logo viriam os filhos... Cansados da maratona do dia, meu marido e eu ansiávamos pela chegada. Ele tomou o manual do jogo como Moisés o livro do concerto e leu para os meninos. As regras estavam claras e deveriam ser cumpridas. Para nosso espanto, em meio aos gritos de protesto da pequenina que não pôde jogar, os meninos concluíram o percurso antes de nós! Próxima à chegada, havia um lugar de parada obrigatória chamado “Dia do Juízo”. Depois disso, o jogador poderia se tornar um milionário ou ir à falência. Passei alguns instantes tentando fazer o meu cérebro processar aquela informação: o juízo faz parte da vida. Em todo o tempo fazemos escolhas, buscando um equilíbrio entre a nossa forma de pensar e agir. Não podemos ser incoerentes, mas usar de bom senso para assumir as conseqüências de nossos atos. Somos julgados o tempo todo! Quando Deus mandou Moisés subir o monte Sinai para receber as tábuas de pedra, a lei e os mandamentos para ensinar ao povo, este achou que ele estava demorando. Não foram pacientes. Perderam o temor. Olharam para a vida que estavam tendo e amaram-na demais. Esqueceram de que quando Deus fica em silêncio é porque está trabalhando em nosso favor... Criemos juízo! Entremos no vínculo do concerto de Deus! Um poucochinho de tempo e o que há de vir virá e não tardará! Continuemos a viver pela fé e não recuemos de nossa posição, porque se o Senhor se agradar de nós muitas promessas se vão cumprir. Deus fez conosco uma aliança e nos deu o seu espírito por companheiro. É ele que intercede por nós com gemidos inexprimíveis quando não sabemos orar. Depois de gerar uma nova vida em nós, nos move até pessoas que também precisam de uma nova vida. Temos filhos na fé. Cuidemos deles. Apesar de muitas vezes nos sentirmos cansados no final do dia, temos a certeza de que uma mansão nos espera. Nossos carros andarão em ruas de ouro e seremos milionários, só que de verdade!

sábado, 28 de janeiro de 2012


Mergulhe sete vezes e afogue o gigante!

Minha última semana de férias. Praia pra fechar em grand finale!!! Enquanto os meninos desfrutavam das marolinhas que estouravam na areia, eu experimentava a água. Cautelosamente fui entrando e me rendendo à deliciosa tarefa de me divertir com os meus filhos. Lembrei-me de Naamã. Será que ele verificou a temperatura da água antes de mergulhar no rio Jordão? A praia parecia conservar cubos de gelo derretendo-se à luz do sol. Também fiquei imaginando se os sete mergulhos dele foram assim como os meus: tímidos, rápidos e contrariados. Afinal, Jordão significa descer e para ser curado da lepra ele teve que vencer muitas barreiras.  Quando Deus quer nos preparar para receber algo da parte dEle primeiro nos fazer descer do lugar onde estamos, pois assim poderemos ter uma visão melhor da sua glória. Que dura lição esta da humildade! Ela traz em si inúmeras outras lições... Dentro de cada um de nós existe um gigante – a razão. Quanto mais nos enchemos dela, menos mergulhos damos. Flutuamos. Não é nada fácil negar ao enorme ego a vontade de revidar quando alguém nos trata com frieza, indiferença, finge que não nos vê ou erra nosso nome de propósito. Mas Naamã era corajoso, já havia vencido muitas batalhas, poderia vencer a si mesmo também. Relutante ouviu a empregada. Relutante entrou na água. Relutante obedeceu. Relutante desceu. Mergulhou e afogou o que lhe era grande. Saiu purificado. Não somente transformado. A palavra do profeta se cumprira. Deus dele louvor recebia. Me entretive mergulhando e quando percebi o sol da justiça já ia alto no último dia... Era hora de ir embora e continuar me divertindo com meus filhos em outro lugar. Com certeza num lugar bem melhor para todos nós...

domingo, 22 de janeiro de 2012

Feridas Curadas


Que susto levei com aqueles olhos negros me olhando! Eu ainda estava deitada e tudo o que podia enxergar com os meus seis graus de miopia era o que estava exatamente à minha frente: a pequenina de um ano em pé, esperando que eu despertasse. Logo que levantei da cama, ouvi meu filho de cinco anos reclamar do convite por telefone: “Eu não quero ir à praia! Domingo é dia de ficar com a família!”. Minha vida inteira passou em um minuto na minha cabeça. Por seis anos de minha juventude estive longe de Deus. Meus pais haviam decidido seguir rumos diferentes depois de 26 anos de casados e a terra parecia abrir debaixo dos meus pés. Tudo o que eu havia acreditado em minha vida escapara naquele acontecimento. A última década tinha sido para nossa família um período áureo e agora eu só tinha o vazio. O que faria aos domingos? Me lancei 100% à minha carreira: faculdade, trabalho e capacitações nos finais de semana. Então, além do vazio, passei a ter horas de solidão contabilizadas em viagens e hotéis. Até que numa noite de domingo veio a catarse: choro sem TPM! Eu tinha MUITAS amigas leais, das quais três me socorreram naquele instante. Depois de algumas voltas de carro e baldes de lágrimas, me levaram à uma igreja. Assim que me assentei ouvi: Só o Teu amor sara a minha dor preenche o meu viver... e as feridas que ninguém vê vem tocar com o teu poder! Olhei para as minhas amigas como quem despertara de um coma profundo e disse: Podemos ir embora.  Elas haviam me descido pelo telhado exatamente no momento em que o anjo agitou as águas para curar os enfermos. Minha alma não estava mais míope. Eu podia ver os olhos de Deus bem à minha frente. Ele estivera ali todo o tempo esperando que eu acordasse... deixei que cuidasse de mim novamente. A ferida foi cicatrizando aos poucos e agora domingo é dia de ficar com a família!

sábado, 21 de janeiro de 2012


Temporalidade

Sábado, manhã linda de sol. O mar parece estar calmo hoje. Mas ontem levantou-se grande temporal. Dia difícil para uma sexta-feira! Algumas tempestades da vida nos sobrevêm de repente... No final do dia eu estava exausta de lutar contra o vento e as ondas gigantes. As más notícias nos deixam com o coração agitado, como um barco num mar revolto balançando pra lá e pra cá. A tormenta nos dá a dimensão exata de nossa temporalidade. Somos limitados e em qualquer circunstância haverá momentos em que nada poderemos fazer. É quando surge aquela voz: “aquietai-vos e sabei que eu sou Deus!”. Quando eu era adolescente minha mãe lia diariamente um trecho do livro “Mananciais no deserto” para o meu pai antes dele ir trabalhar. Assim, aprendi em doses homeopáticas que a fé é a mais poderosa arma que podemos usar numa batalha. Ela é a única coisa que vamos levar desta vida. Como num diário de bordo, os acontecimentos mais importantes do meu dia começaram às 3h da manhã.  Telefonemas, conselhos, pedidos, remediações. E a voz continuava a ecoar. Era hora de romper em fé soltando os remos do barco e dobrando os joelhos em oração. Sem saber ao certo o que dizer, me aquietei e se fez grande bonança no meu coração. Logo pude enxergar a luz do farol que me mostrava a terra firme. Percebi que as circunstâncias também são temporais e que outras tempestades virão, mas eu estarei ainda mais preparada para navegar nas águas do mar da vida. Espero que você ainda esteja aqui para compartilhar comigo.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012


Faxina: tesouros da criatividade

Li recentemente num livro que todo novo hábito é regrado em três semanas de rotina. Assim, comecei a preparar minha trupe para a contagem regressiva de volta às aulas. Começamos a semana acordando um pouco mais cedo e, quase como uma tradição, iniciamos uma boa faxina nos armários e estantes de materiais guardados.  Como é difícil nos desfazermos das coisas! Sempre encontramos um motivo para guardar cada objeto como símbolo de uma época. O problema é que quanto mais velhos ficamos, mais difícil ainda é encontrar lugar pra tanta “lembrança”. Não importa o tamanho do espaço que temos, buscamos ocupá-lo... Meus ajudantes estavam dispostos a criar e re-criar tudo o que viam. Munidos de tesoura, cola, pincéis e tinta guache retiravam das sacolas de lixo o que eu descartava. Queriam fazer obras de arte! Estavam como o homem que do seu tesouro tira coisas antigas e coisas novas. Bastou eu ter os planos de aula em minhas mãos que fiquei como eles: cheia de expectativa! Os projetos adormecidos despertaram e o cérebro começou a ferver de idéias. Veio à memória o que por muito tempo havia me dado esperança. Lembrei-me de Augusto Cury: sonhos são como barcos, precisam dos remos da coragem e da paciência para navegarem. A faxina nos ajuda a enxergar o que antes estava obscurecido e encontrar o que estava perdido. Ela nos desperta para a harmonia de cada coisa estar em seu devido lugar. Ainda não vimos nem sentimos tudo o está reservado para nós! Vamos nos preparar hoje, porque amanhã Deus fará maravilhas no meio de nós. Comecemos a glorificar por aquilo que ainda não vimos, pois Ele sempre tem o melhor para nós! Como acabou a faxina? Com duas cigarras cantando... Tá rindo de quê? Vai ter com a formiga, ô preguiçoso!

Férias, jogos de dominó e a velha correção

Um mês de férias: sete rodadas no campeonato de dominó com os meus filhos. Foram setenta partidas, das quais posso contar nos dedos de uma mão as que ganhei... É inacreditável, não é mesmo? Duas crianças de oito e cinco anos vencerem a mãe tão vivida e experiente em jogos de estratégia e raciocínio? Os dias de chuva foram cheios de tensão por causa desta competição! Quando meu esposo chegava no final do dia eu estava exausta e muito, muito descabelada... Eram gritos, protestos, choros e minutos revezados de pensamento no tapete verde do corredor, até que estivessem abertos a uma negociação. O fato é que as brincadeiras não apenas nos propiciam viver situações de liberdade e prazer, mas revelam muito de nossa personalidade e nosso caráter. As férias, ao contrário do que muitos pensam, são oportunidades únicas de correção daquilo que nos escapou durante o ano. Um intensivo de aprendizagem! Observe as crianças enquanto brincam e você poderá identificar o comportamento de muitos adultos. Quando temos filhos pequenos somos obrigados a nos socializar com diferentes grupos. São festas de aniversários, reuniões e apresentações na escola, passeios e inúmeros convites para lanches e tardes de brincadeira na casa um do outro. Basta os adultos iniciarem uma boa conversa que logo surgem os conflitos da divisão de brinquedos e os protestos das vitórias e derrotas de cada um. Sem falar do típico “ninguém quer brincar comigo”... Filhos são herança! Herdam características físicas e temperamentais. Personalidade e caráter são constituídos por exemplos de convivência, mas temperamentos precisam ser trabalhados ao longo de uma vida. É um processo de mão dupla para pais e filhos. Não é à toa que o bom pastor do Salmo 23 consola com uma vara! Precisamos resignificar situações antigas e nos dar a oportunidade de reelaborá-las corrigindo os desvios de percurso – seja como pais, seja como filhos. Sempre há tempo! Quem é que está perdendo aqui?! Duro vai ser jogar as outras trinta partidas...
  

terça-feira, 17 de janeiro de 2012


PALAVRAS NÃO SÃO LEVADAS AO VENTO...

Ufa! 13h40 e só agora consegui parar para escrever no blog. Desde ontem fiquei matutando sobre o tema que discorreria, depois dos acessos das primeiras postagens. Já sabia exatamente o que escrever nos dias seguintes, mas o de hoje estava difícil sair. Vencida pelo cansaço me rendi ao sono às 2h da manhã e, ao acordar, fui levada pela frenética falta de rotina das férias. Depois de “emprestar” os meninos para um dia de praia e dar uma passada rápida no supermercado, consegui checar meus e-mails. Que surpresa!!! Um monte de respostas sobre o blog, mas nenhuma postada... Li, reli e refleti: palavras não são levadas ao vento! As mensagens de incentivo, apreciação e confissão de cada um de vocês me deu a postagem de hoje! Foi por isso que fiz o “blog do conhecer”, para que pudéssemos escrever a respeito do que vai em nossos corações e nos libertar de muitos pensamentos que nos aprisionam. Vigotsky disse que a aprendizagem se dá na interação com o outro e para Freud este outro é o nosso atestado de sanidade mental. É verdade, pessoas são espelhos. Alguns que nos fazem sentir mais magros ou compridos, outros que nos achatam e engordam. Mas há sempre os espelhos verdadeiros que nos dão a dimensão exata daquilo que somos. Assim, esta postagem é uma simples homenagem aos eternos e queridos amigos que sempre me ouvem. Deus fez todas as coisas pelo poder de sua palavra. Transformemos nossos temores em palavras de vida para que ao pronunciá-las lembremos que as mesmas aflições se cumprem com todos.  Vida abundante para você também neste lindo dia de sol!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

EXPERIÊNCIAS À MESA: CONTENTAMENTO



No meu quadro de objetivos de 2011 utilizei uma foto de revista que mostrava uma mesa redonda, com oito lugares para me lembrar do quão importante é ter a família reunida para vivenciar momentos de comunhão e partilha. Durante todo o ano desligamos a TV durante as refeições e desfrutamos da barulhenta origem italiana de meu marido. Até a nossa bebê tinha agora um lugar reservado para ela! Como numa posição de 3\4, pude observar meus filhos crescerem e aprenderem inúmeras lições que não se reduziam à etiqueta de talheres dispostos e manuseados em ordem correta. Cada cena produzida por nós ficaria para sempre guardada e perpetuada nas gerações posteriores. No decorrer do ano, recebi de uma amiga, inúmeras mensagens que falavam sobre contentamento. Eu estava comendo ervas amargosas pelas inúmeras situações adversas. A impressão que eu tinha era de que havia dado uma volta enorme e parado no mesmo lugar!!! Fiquei realmente brava com aquelas mensagens! Meu paladar estava alterado, não podia saborear o delicioso gosto de uma palavra amiga... Meses depois, fiz um estudo sobre satisfação e quando li a definição me senti pequena e muito envergonhada: sentimento de quem está contente, saciado, que considera que tem o suficiente. Lembrei da foto da revista. Lembrei das cenas à mesa. Lembrei de minha amiga. Era preciso dulcificar as águas para que o paladar fosse limpo. Desfrutar todos os dias da comunhão à mesa farta, onde não falta o alimento para todas as idades. E você, também quer ceiar¿ Pegue a sua parte e sente-se para viver a sua experiência! 

domingo, 15 de janeiro de 2012

Perdas Necessárias

Hoje é um lindo domingo de sol, que vem coroar cinco dias de verão depois de duas semanas de chuvas neste ano que se inicia. Estou em casa terminando a leitura do livro “Perdas necessárias”, de Judith Viorst, enquanto desfruto o prazer da companhia de minha filha de 1 ano. Somente eu e ela. Entre risadinhas e telefonemas, penso nos meus filhos de cinco e oito anos cercados de primos, tios e tias aproveitando o lindo dia na piscina na casa dos avós, com o pai. É realmente um dia perfeito para o lazer em família, mas optei perdê-lo para ganhar a liberdade de fazer o que quero com minha pequenina, sem as interrupções dos afazeres cotidianos e as competições dos demais pela minha atenção. Nunca demorei tanto para ler um livro: cinco meses! Seja pelo condensado conteúdo ou pela falta de tempo livre, valeu o tempo da espera! O processamento gradual das perdas que estive sofrendo no ano de 2011 me fez compreender todas as perdas de uma vida. Resta apenas vivê-las com dignidade. Assim, quero inaugurar este blog compartilhando a oportunidade de adquirir um conhecimento que Gardner definiu como inteligência intra e interpessoal: o conhecer a si mesmo e ao outro! Que mergulho profundo este da alma, não é mesmo¿ Amar ao próximo como a si mesmo nunca foi tão difícil nesta moderna vida individualista... Mas, na medida em que nos dedicamos a conhecer a nós mesmos e enfrentamos nossas perdas com maturidade, ligando-as aos nossos ganhos, conseguimos alcançar a limitação do outro e compreendê-lo, aceitando seus erros na medida em que nos vemos nele. Assim, podemos amá-lo como a nós mesmos e desenvolvermos não apenas as inteligências intra e interpessoal de Gardner, mas cumprir um mandamento cristão. Afinal, só exerce a misericórdia que tem experiência no sofrimento... Então, que venham os dias de chuva, mas que também venham os dias ensolarados!