sábado, 16 de junho de 2012


AS 37 VALENTES DE GABI

Que bom reencontrar amigas! Desde pequena cultivo as mais belas flores, assim como o pequeno príncipe de Antoine de Saint-Exupéry com sua rosa. É claro que não as tenho guardado em redomas de vidro e minhas viagens têm me proporcionado encontros interessantes com cobras, raposas e planetas realmente exóticos. Cativar deixou de ser apenas um corinho da época de adolescente para se tornar um verbo de conjugação diária. Aprender acerca de alguém não é coisa fácil... Dentro de seu mundinho cada um se comporta de uma maneira lógica. Quando nos colocamos no lugar do outro em alguma situação alcançamos empatia e, nesta posição, podemos compreendê-lo cultivando assim uma verdadeira amizade. Não estou procurando um carneiro que coma jatobás, apesar de saber que as raízes de amargura destroem tudo o que existe ao redor desta frondosa árvore. O cordeiro eterno já limpou a terra de nossos corações e o aparente descuido da amizade distante não nos tem impedido de sermos responsáveis umas pelas outras. Em relação às minhas amigas me sinto como Davi e os trinta e sete valentes que teve. Ele reconheceu o trabalho e a dignidade de todos, mencionou seus nomes e registrou o que cada um fizera para livrá-lo. Todas as vezes que precisei me esconder na caverna de Adulão e desejei beber água no deserto, houve uma valente que buscasse por mim. As palavras reveladas pelo Espírito de Deus saciaram a sede de ambas as almas. Cada ato está derramado diante do altar através de ligações internacionais, chamadas no skype, visitas, e-mails e longas conversas. Temos nos colocado em defesa umas das outras e ferido leões em covas num tempo de neve. Com oração, jejum e súplicas, o cajado do bom pastor não tem deixado a lança do egípcio nos ferir. De ano em ano vamos nos revezando em posições de batalha. Nunca saberemos quais estarão entre as três primeiras ou sobre a guarda. O essencial continua invisível aos olhos e somente as que estiverem limpas de coração poderão enxergar o caminho no ermo e os rios no deserto a fim de conduzir as demais até lá. Continuemos valentes!!!

segunda-feira, 11 de junho de 2012


Rocha Fortaleza

Aniversário de 62 anos do meu pai. Passeio de carro estendido até chegar ao local da festa. A cada cinco minutos nossos filhos se alternavam com a mesma pergunta: “Está chegando¿”. Levamos cerca de duas horas para sairmos de casa e uma hora para chegar ao nosso destino. Não podíamos ficar menos do que três horas para valer a pena o esforço de ter ido com as crianças. Meu pai é para mim um exemplo. Além de ter Rocha como sobrenome, vive como uma fortaleza no meio dos que o cercam. Nunca fraquejou diante das adversidades e se levantou inúmeras vezes provando a todos que não há limites quando se tem fôlego para lutar. Filho dedicado, ouvia carinhosamente os conselhos de sua avó todos os domingos de manhã, quando a visitava. Como Lóide, ela o orientou até findar seus 99 anos de idade... Esta herança transmitida a mim e aos meus filhos foi revelada pelo Espírito de Deus à nossa família há mais de um século! Certa vez sonhei que um casal da minha igreja morava num forte, no meio do mar. A cama deles estava de costas para a janela e voltada para o interior da casa. Eles permaneciam todo o tempo deitados juntos e não se incomodavam com o barulho das ondas do lado de fora. Quando decidi constituir minha própria família e viver os sonhos que Deus havia colocado em meu coração já tinha a clareza do que era um lar edificado sobre a rocha. Sabia que se habitássemos no abrigo de Deus, moraríamos sob sombras de amor e nenhum mal sobreviria a nós. Nestes dez anos de casada não tivemos somente bonança. Houve momentos em que as ondas avançaram altas e os ventos sopraram brutalmente contra a nossa casa, mas aprendemos a permanecer juntos no forte, voltados para as necessidades da nossa família. Em momentos de extremo perigo o próprio Deus escondeu a todos nós na fenda da rocha e nos livrou de nossos apertos. Nunca pude cantar Castelo Forte sem lembrar de meu pai... Agora que não tenho mais o Rocha como sobrenome, resta-me apenas ser fortaleza.

terça-feira, 5 de junho de 2012


Palavras de um pequenino

Neste mês de junho minha igreja estará orando pelas famílias. Para abrir o novo ciclo de experiências, despertamos com o nosso filho de cinco anos relatando o sonho que havia tido com todas as pessoas da nossa casa. A sirene espiritual foi ligada em alto volume e logo tratamos de nos reunir na noite seguinte para orarmos juntos. Era preciso que nos reservássemos à parte, como Jesus fazia com seus discípulos. A cada história lida, um segredo do Senhor aos nossos corações. Eram mananciais de águas vivas, totalmente disponíveis. Não podíamos cavar em nossa acelerada rotina cisternas rotas que não retesem tais águas. Caso contrário, correríamos o risco de ouvir do Senhor a palavra que Jeremias usou para repreender Jerusalém por sua rebelião: Acaso é Israel um servo? Ou um escravo nascido em casa? Por que, pois, veio a ser presa? Vigilância. Eis a palavra desta última hora. Nossa responsabilidade como pais, não consta somente em falar da palavra ao caminho e atá-las ao pescoço de nossos filhos para que a levem consigo. Mas principalmente zelar por esta herança, transmitindo-a todos os dias em experiências pessoais. Jesus está vivo e quer se revelar a cada um hoje! Ensinemos aos nossos filhos acerca do temor a Deus para que depois não amarguemos as algemas...

segunda-feira, 4 de junho de 2012


A genética da igreja fiel

Logo que nasci tive uma bronquiolite e fui desenganada pelos médicos. Meu pai que já estava afastado da igreja há anos correu em busca de um diácono para uma imposição de mãos. Ele sabia que somente Deus é o autor da vida e que o poder da cura está na sua palavra. Naquele dia – profeticamente – fui consagrada ao Senhor e cresci ouvindo a minha mãe dizer o significado do meu nome: enviada de Deus. Durante o período da adolescência conheci pessoalmente este Deus que me enviara e me afeiçoei a Ele a cada vez que o ouvia falar através dos louvores e se revelar através de sua palavra a cada culto. Foram inúmeras declarações de que minha vida era um projeto de Deus e que nada poderia mudar isso. Em meu aniversário de 18 anos fiz um solo de dois louvores que falavam de minha entrega total à sua obra. Dois anos depois me afastei da igreja e do pasto seguro do bom pastor que cuidava de mim. Foi um período escuro, confuso, de poucas respostas. Todas as vezes que sentia o desejo de ir à igreja ou ouvir algum louvor o Espírito Santo me dava a mesma palavra: O Diabo vem senão para roubar, matar e destruir; mas Jesus veio para dar vida e vida em abundância. Certa noite fui dormir em grande angústia e, salteando os canais da televisão, qual não foi a minha surpresa ver escrito este versículo na tela!!! Parecia pegadinha... Na manhã do dia seguinte um jovem do meu prédio havia se suicidado. Temi. Tremi. Compreendi que desde o ato de minha consagração o sangue do cordeiro estava borrifado em minha testa e me foi por sinal declarando a quem pertencia. Como na noite da primeira páscoa, a morte passou por sobre a minha casa no terceiro andar e não me pôde levar. A Trindade estava comigo. Busquei o autor da vida. Ainda havia tempo. Minha mãe havia tido um sonho em que eu era uma criança pequena e chegava da praia chorando, triste e ferida. Não havia roupas que protegessem meu corpo das tempestades do mundo. Ela me abraçava e dizia: Tudo vai ficar bem agora. Como no sonho de minha mãe, fui recebida, cuidada e amparada pela igreja. O bom pastor não havia se ausentado de mim por um segundo sequer! Como compreender este grande amor de Deus por nós? Ele é mais forte do que a própria morte! Recentemente numa vigília, os servos levantaram sua mãos para adorar o autor da fé e emudeci lembrando das cenas de minha adolescência, em que de mãos levantadas eu declarara tantas vezes que pertencia a este Deus.  Eu só não sabia há quanto tempo...

domingo, 3 de junho de 2012


ODRES NOVOS

Trabalho novo: muitas coisas pra aprender! Reconheço, sou intensa, pra não dizer compulsiva... Tenho a audácia de pensar que em tempo recorde vou aprender tudo de uma só vez. Aos poucos a ficha vai caindo, o corpo vai cansando e me rendo à necessidade do descanso físico e mental. Como é difícil lidarmos com as nossas limitações! Elas ficam tão evidentes nas adaptações... É como se tateássemos no escuro: tropeçamos no que não vemos. Sentimos medo. Esquecemos que o novo nos traz inúmeras possibilidades e que nele encontraremos pessoas que também estarão em adaptação à nós. São aprendizagens propiciadas pela escola da vida. Construções pessoais de uma história particular que nunca acontece isoladamente. Estão inseridas num contexto maior e precisam da interação para que se concretizem. O resultado disso tudo foi quase quatro meses sem escrever no blog... Tempo que levei para processar o novo formato da minha vida. Como Piaget ensinou, precisamos deste tempo para que haja uma equilibração dos novos dados. Adaptar significa tornar-se mais apto a sobreviver no ambiente em que vive. Este ponto de equilíbrio entre a assimilação e a acomodação é que torna nossa interação eficiente. Observando as turmas de maternal da escola em que trabalho, percebi que as crianças não choram longe das mães e, muitas vezes, são estas que vão embora da escola chorando! São odres novos, preparados para receber vinho novo. Ainda levaremos muito tempo para compreender o tempo de Deus, não é mesmo? Mas não demora muito e alcançamos que vinho novo só pode ser colocado em odre novo, caso contrário, o velho se romperia... Como Salomão escreveu em Eclesiastes, tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Sabendo que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, estamos seguros na consciência de que por este propósito fomos chamados para cada mudança.