Que susto levei com aqueles olhos
negros me olhando! Eu ainda estava deitada e tudo o que podia enxergar com os meus
seis graus de miopia era o que estava exatamente à minha frente: a pequenina de
um ano em pé, esperando que eu despertasse. Logo que levantei da cama, ouvi meu
filho de cinco anos reclamar do convite por telefone: “Eu não quero ir à praia!
Domingo é dia de ficar com a família!”. Minha vida inteira passou em um minuto
na minha cabeça. Por seis anos de minha juventude estive longe de Deus. Meus
pais haviam decidido seguir rumos diferentes depois de 26 anos de casados e a
terra parecia abrir debaixo dos meus pés. Tudo o que eu havia acreditado em
minha vida escapara naquele acontecimento. A última década tinha sido para
nossa família um período áureo e agora eu só tinha o vazio. O que faria aos
domingos? Me lancei 100% à minha carreira: faculdade, trabalho e capacitações nos
finais de semana. Então, além do vazio, passei a ter horas de solidão
contabilizadas em viagens e hotéis. Até que numa noite de domingo veio a
catarse: choro sem TPM! Eu tinha MUITAS amigas leais, das quais três me
socorreram naquele instante. Depois de algumas voltas de carro e baldes de
lágrimas, me levaram à uma igreja. Assim que me assentei ouvi: Só o Teu amor sara a minha dor preenche o
meu viver... e as feridas que ninguém vê vem tocar com o teu poder! Olhei
para as minhas amigas como quem despertara de um coma profundo e disse: Podemos
ir embora. Elas haviam me descido pelo
telhado exatamente no momento em que o anjo agitou as águas para curar os
enfermos. Minha alma não estava mais míope. Eu podia ver os olhos de Deus bem à
minha frente. Ele estivera ali todo o tempo esperando que eu acordasse... deixei
que cuidasse de mim novamente. A ferida foi cicatrizando aos poucos e agora domingo
é dia de ficar com a família!
Aconteceu comigo tb, de um dia perder o chão pelo fato de meus pais terem tomado rumos diferentes em suas vidas, mas o grande pai sempre esteve ao lado das filhas, cuidando e amando, esperando o dia que tb acordariam para aceitar aquele amor .
ResponderExcluirMuitas feridas nos machucam profundamente e acabam "sarando" com o tempo e, quando olhamos a cicatriz - que não dói, mas fica tatuada na pele como um incômodo lembrete -, é inevitável não lembrar a dor que causou. Mas pela grande misericórdia de Deus, vamos tocando a vida,ou melhor, a nova vida; ainda que entre encontros e desencontros, até chegar o dia perfeito.
ResponderExcluirEsse cântico também marcou uma época da minha vida no ano de 2000. Eu pude com certeza experimentar a cura de Deus sobre as minhas feridas, essas realmente que ninguém via. E como é bom render-se ao que Deus faz em nós. Parabéns pelo seu blog e que ele continue a nos abençoar. Pr. Ricardo Augusto.
ResponderExcluir